Por Redação | Especial em Segurança Pública
A maior tragédia, no entanto, é o perfil das vítimas. Apesar de tentarem atingir todos, as panteras preferem idosos e pessoas de alta renda. Aposentados do funcionalismo público e pequenos empresários da Zona Norte do Rio estão entre os mais afetados. Muitos perderam não só o dinheiro, mas o imóvel onde moravam, hipotecado em empréstimos fraudulentos. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), sediada no centro do Rio, está em guerra contra a facção. Recentemente, a operação batizada de "Caça Noturna" prendeu 12 membros de um núcleo que operava de dentro de condomínios de luxo no Recreio dos Bandeirantes. as panteras 171 na cidade maravilhosa
Não se trata de um bando de marginais armados com fuzis subindo o morro. O perigo agora está no seu bolso, na tela do celular e na vulnerabilidade dos sistemas bancários. Este artigo mergulha fundo na atuação deste grupo de golpistas de alta-costura que elegeu o Rio de Janeiro como seu principal território de caça. O termo "Pantera" no mundo do crime cibernético remete à agilidade, à furtividade e à capacidade de atacar à noite, no escuro, sem que a vítima veja o golpe chegando. O "171" é a referência ao artigo do Código Penal Brasileiro que tipifica o crime de estelionato. Por Redação | Especial em Segurança Pública A
Diferente das quadrilhas convencionais que explodem caixas eletrônicos, operam com um método industrializado de engenharia social. São profissionais altamente especializados em psicologia comportamental, informática e direito bancário. Muitos, segundo investigações da Polícia Civil do Rio (DECRIM), são oriundos do mercado de tecnologia ou de telemarketing, usando seus conhecimentos para subverter sistemas de segurança. O Modus Operandi: Como elas agem? O padrão de ataque na capital fluminense segue um roteiro assustadoramente eficiente: 1. O Pente Fino nas Redes Sociais As vítimas não são escolhidas aleatoriamente. As panteras monitoram o Instagram e o Facebook de moradores da Zona Sul (Leblon, Ipanema, Copacabana) e da Barra da Tijuca. Elas buscam fotos de viagens ao exterior, restaurantes caros ou comentários em páginas de bancos de investimento. 2. A Isca do "Empréstimo Consignado" ou "Prêmio Falso" O contato inicial é quase sempre uma ligação ou WhatsApp com um número com DDD 21. O golpista se passa por gerente de um grande banco (Itaú, Bradesco, Santander ou Nubank). O papo é sempre o mesmo: "Boa tarde, senhor(a). Identificamos uma tentativa de empréstimo de R$ 50 mil em seu nome. Para cancelar, preciso do código que enviarei agora." 3. O Cerco Tecnológico A arma secreta das panteras é o Acesso Remoto (TeamViewer, AnyDesk). Elas convencem a vítima de que precisam ajudar a “bloquear” o sistema. Uma vez instalado o aplicativo, o criminoso tem acesso total ao celular. Em minutos, enquanto a vítima acredita que está ajudando a evitar um golpe, as panteras limpam contas correntes, fazem empréstimos consignados e transferem tudo para "laranjas" registrados em favelas dominadas por milícias. 4. A Saída pela Cidade Maravilhosa Por que o Rio de Janeiro? A logística. Após o golpe, o dinheiro é pulverizado em contas de "laranjas" ou usado para comprar criptomoedas em casas de câmbio nos aeroportos Santos Dumont e Galeão. A beleza da cidade facilita a circulação; os criminosos se misturam aos turistas e saem do estado em voos nacionais ou internacionais antes que a vítima perceba o rombo na conta. O Impacto Social: Os Números que Assustam Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Rio de Janeiro lidera o ranking de tentativas de golpes por telefone no Brasil. Em 2024, o prejuízo causado por quadrilhas como As Panteras 171 na Cidade Maravilhosa ultrapassou a casa dos R$ 500 milhões. Muitos perderam não só o dinheiro, mas o